sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sóh

Solidão, enfastiada de vagar abatida, jururu, pelos becos soturnos do rubro peito; notando o meu viver apenas pelas frestas do encurtado universo que me trancafiava, arquitetou uma coragem ilícita de me fazer censurar os sonhos superficiais que até ontem me guiavam por um calunioso caminho que me induzia pra bem longe do palácio aonde cobiço me tornar alteza de mim. Solidão que antes não teimava palpitar sobre a existência desse povo excêntrico que enfeza o meu ser, muito menos se aventurava sapatear rechonchuda com sola quente sob meus frágeis anseios de ser lúcido. Idealizou em uma alquimia desastrada, a fórmula de me desvendar a face aos espelhos mais claros e aguerridos que um homem pode se avistar. Nessa troca de olhares do meu estado escuro de ser um falso são, e a iluminação de se saber ser só, nessa trombada do bem e do mal, fez de tudo que sustentara o desespero de alguém sem saída até ali, transformar-se em uma razão de plástico e todo alento de encontrar-se passou a deixar pegadas de ouro em direção a terra aonde meus bichos de verdade poderão ser livres e desvairados. O meu tudo, do mundo nada mais anseia. Nenhum movimento, ou algum tipo de cavaqueira com esse sucesso que os homens indiferentes a si buscam. Solidão ancorou todo o seu sentido no ventre da minha alma, e quem até hoje abrolhava diariamente insatisfação, viu desabar do céu um temporal de paz, e ali a sanidade enfim lavou-se, fez-se fonte de seiva para minha criatura mais luminosa. Solidão hoje é a ditadura charmosa do meu embananado povo, anjo da guarda de todas as minhas faces, do meu Eu antes ateu, se fez divina.

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