sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Silhueta

Quanta nostalgia para articular uma solidão. Estou aqui a ingressar em uma primária pintura! Armazeno esse bilhete para exceder a desesperação de cavalgar em qualquer silhueta de arte. Que penúria é essa? Quem é esse infindável diário que me aposto como se não existisse risco, apenas desventura de atirar para além algo que em toda alvorada não me pertence. Procuro palavras, musicas, películas e agora desenhos que amenizem minha falta de tamanho nessa vida. Será um tipo de desespero? Com toda fé digo que sim. Penso nisso em tempo integral, entre cigarros e álcool... Penso em figuras dramáticas, tento impetrar sentimentos, mas quem sou eu dentro de tudo isso? Às vezes ajuízo que sou, entre as minhas criações, o que menos existe. Não digo “mentiroso”! Apenas ocupo minha estação com o sentimento que invento para vestir as linhas da vida somente nas caveiras que fantasio. Não sou grotesco, só quase não existo. Experimento que chegar nesse profundo da criação não passa de uma tática, sei lá, uma astúcia emocional!!! Prova disso é que arrazôo muito antes de armar em cada linha! Fazer arte é um futebol injusto onde só ouço o apito final quando me sinto satisfeito. A vida é mais grave, e nessa, covardemente nem surjo do vestiário. Minha falha humana está camuflada atrás da demora de cada vocábulo que ajusto. Já no habitar sou ligeiro, na maioria das vezes, explano equivocado, sem oportunidade de voltar atrás dos ditados fúteis. Minha essência física é uma calúnia e a artística um teatro.

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